Portugal vai duplicar contribuição para comunidade ibero-americana

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                    Portugal vai duplicar contribuição para comunidade ibero-americana
Portugal vai duplicar contribuição para comunidade ibero-americana (Foto: Reprodução)

Luís Montenegro, que falava no plenário da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, em Madrid, defendeu que a comunidade ibero-americana deve ser "uma comunidade de diálogo político" e "de concertação", mas também "uma comunidade com resultados concretos, palpáveis, sentidos" pelas populações dos países que a integram.

 

"Sou aqui portador, mais uma vez, da mensagem de envolvimento e de compromisso de Portugal [com a comunidade ibero-americana]. Vamos também por isso duplicar a nossa contribuição anual para a Secretaria-Geral Ibero-Americana, o que revela o nosso empenho, a nossa disponibilidade, o nosso compromisso", disse o primeiro-ministro.

Para Luís Montenegro, os 35 anos de vida desta comunidade são a prova do muito que une os 22 países que a integram, mas também que há "ainda muito caminho a percorrer em conjunto no futuro" em áreas como a economia.

O primeiro-ministro destacou que o conjunto da comunidade ibero-americana representa 8,5% do PIB e 9% da população mundiais, que Portugal e Espanha integram "um mercado único europeu de mais de 450 milhões de pessoas" e que, na América Latina "são também muitos os benefícios da integração regional".

"É portanto fácil concluir que temos muito a ganhar com uma maior aproximação", defendeu.

O primeiro-ministro defendeu que uma maior aproximação entre a União Europeia (UE) e a América Latina e considerou que os acordos comerciais do bloco comunitário europeu com o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), o México, o Chile ou a Comunidade Andina "abrem novas oportunidades" que devem ser potenciadas.

"São janelas para uma maior diversificação das cadeias de produção e para a criação de um modelo económico que não seja suscetível de estar, muitas vezes, na dependência de parceiros terceiros", defendeu Luís Montengro, sublinhando que está aqui "um caminho" para "uma maior autonomia" e um "maior crescimento" de todas as economias.

"E por via disso maior prosperidade, justiça social, serviço direto aos nossos cidadãos. Esta aposta no desenvolvimento comum é também o que nos motiva na defesa de um trabalho conjunto com África", acrescentou, reiterando o compromisso de Portugal com o Fundo de Cooperação Triangular América Latina-Portugal-África, com uma dotação de 1 milhão de euros, que é gerido pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB).

Luís Montenegro considerou que a par da economia, há também caminho a percorrer e "múltiplas oportunidades" na comunidade ibero-americana a nível da "cooperação prática e congratulou-se com "as novas sinergias" que já estão a desenvolver-se, por exemplo, no âmbito da proteção civil e na resposta a eventos climáticos e naturais extremos e que afetam os países ibero-americanos, como os incêndios ou os terramotos.

"Tudo isto são motivos mais do que suficientes para que nos juntemos e cooperemos no domínio da proteção civil. A Rede Ibero-Americana de Redução do Risco de Desastres e Proteção Civil, que apresentámos na última cimeira e que tem vindo a desenvolver-se é um instrumento importante para antecipar as crises, reduzir os riscos e reforçar a entreajuda quando necessário", afirmou.

A 30.ª Cimeira Ibero-Americana termina hoje em Madrid e a formalização desta Rede Ibero-Americana de Redução do Risco de Desastres e Proteção Civil, proposta por Portugal, é um dos "cinco grandes resultados" do encontro, segundo o Governo espanhol, anfitrião e organizador da reunião.

O primeiro-ministro português reiterou hoje, perante o plenário da cimeira, a disponibilidade de Portugal ser o anfitrião da 32.ª Cimeira Ibero-Americana, em 2030, e assim assumir a presidência temporária da comunidade no período 2028-2030.

As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e a próxima será nas Honduras, em 2028.

[Notícia atualizada às 12h06]

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