Porto de Mós expõe memórias coloniais, tradição e arte contemporânea
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Barro, têxteis e memórias da migração no contexto colonial português cruzam-se na exposição que é inaugurada no domingo na Central das Artes de Porto de Mós, no distrito de Leiria, e que está integrada na Bienal de São Tomé e Príncipe.
"Patrimónios em trânsito - Memória, terra e corpo entre Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe" junta trabalhos que refletem sobre as heranças da migração no quadro dos territórios colonizados por Portugal e sobre a transmissão de saberes entre gerações e geografias.
O projeto arrancou em setembro, com uma residência artística na freguesia do Juncal, em Porto de Mós. Na Real Factory Creative Hub - Casa dos Calados, encontraram-se vários artistas, oleiros e investigadores para um conjunto de oficinas, palestras e momentos criativos.
"Juntámos mestres oleiros e artistas plásticos para testar o barro vermelho de Porto de Mós e a partir daí fazer a junção entre ancestralidade e arte contemporânea", explicou à agência Lusa o curador da iniciativa, Ricardo Barbosa Vicente.
A residência e exposição fazem parte da XI Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe, que acontece em 2027, que tem em Porto de Mós "a primeira experiência com vários artistas, aqui, a partir de Portugal".
A partir de domingo mostra-se o que nasceu dessa jornada de pensamento e criação em que estiveram envolvidos os artistas Eduardo Malé, de São Tomé e Príncipe, Ana Marta Clemente, Ânia Pais, Mariana Maia Rocha e Virgínia Fróis, os mestres oleiros cabo-verdiana Isabel Tavares, conhecida por "Laitina", de Cabo Verde, e João Coelho, de Porto de Mós.
"Tivemos também palestras com Isabel Castro Henriques e João Moreira da Silva, e técnicos da Câmara [de Porto de Mós], que nos foram mostrar técnicas usadas nos azulejos do Juncal", uma atividade com tradição no território, à semelhança dos têxteis.
Segundo Ricardo Barbosa Vicente, a intenção foi a de, "através da junção da matéria que já existe no território, transformá-la com vários olhares", abordando as memórias da presença colonial portuguesa.
Por exemplo, explicou o curador, Eduardo Malé pegou na sua obra "Neo-Levitação", trabalhando-a "com os pés e com a questão da escravatura no passado e as novas abordagens hoje", evocando "a vontade de migração e a necessidade de outras condições".
Marta Clemente trata "da memória da casa e da transição de culturas de vários lugares", enquanto Mariana Maia Rocha traduz para objetos a base do seu doutoramento relacionado com o conceito da exposição.
Já Ânia Pais faz, "a partir do seu próprio corpo, uma reinterpretação com barro de uma relação materna, em que também faz uma tradução do tema", descreveu Ricardo Barbosa Vicente.
Os vários trabalhos que são mostrados em vários espaços da Central das Artes de Porto de Mós, numa preparação considerada pelo responsável "muito importante" para a produção a exibir na Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe, entre 25 de junho e 31 de agosto.
Em Porto de Mós, a exposição "Patrimónios em trânsito - Memória, terra e corpo entre Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe" é inaugurada às 16h00 de domingo, permanecendo visitável até 31 de janeiro de 2027.
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