Curadora portuguesa quer promover o feminismo através de exposições na China

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                    Curadora portuguesa quer promover o feminismo através de exposições na China
Curadora portuguesa quer promover o feminismo através de exposições na China (Foto: Reprodução)

A curadora portuguesa Clara Brito disse hoje à Lusa que quer promover a "ideia de empoderamento das mulheres" e a "desigualdade de género na sociedade" através de exposições de fotografia na China continental.

 

"A exposição não está apenas relacionada com documentar e mapear, mas também com esta ideia de empoderamento das mulheres, ou pelo menos de questionamento, e de como podemos olhar para a desigualdade de género que existe em várias áreas da sociedade", afirmou Brito.

A exposição de fotografia 'Outros Portos, Outros Olhares' será apresentada no sábado em Guangzhou, na China, e em março do próximo ano na cidade vizinha de Foshan. Reúne cinco artistas mulheres de Macau e da China continental cujo trabalho se relaciona com o feminismo, e é comissariada por Brito e por Gu Zhenqing, de Pequim.

A mesma exposição já foi apresentada no Porto em 2020. No ano passado, esteve em digressão por Zhuhai, cidade vizinha de Macau, e Shenzhen.

Brito começou a ideia de reunir trabalho feminista em 2020, através do seu projeto Tomorrow's Heritage, uma exposição que mostra arte de moda artística, como lenços e peças de vestuário de moda personalizados. Durante a sua investigação para o projeto, Brito diz ter se tornado mais "sensível, consciente e ciente de que existe desigualdade de género".

"Tem a ver com a forma como culturalmente, não só a sociedade valoriza as mulheres, mas como as mulheres são culturalmente educadas. Como se colocam um pouco mais numa posição nos bastidores, não indo para uma posição de destaque", disse, acrescentando que achou que seria interessante mostrar estas obras.

Brito sublinhou que todas as obras fotográficas na exposição estão relacionadas com o feminismo, ou com temas relacionados com a forma como as mulheres desejam ser vistas.

Explicou ainda que as obras de cinco artistas - a artista portuguesa Margarida Gouveia, e as artistas chinesas Mina Ho, Ting Song, Xing Danwen e O Zhang - estão relacionadas com violência material cultural e simbólica, "que põem em perspetiva o feminismo contemporâneo".

A curadora apresentou o trabalho da artista Zhang O como "uma espécie de trabalho mais antropológico", em que esta documentou famílias americanas que adotaram crianças chinesas, "principalmente raparigas".

"Qual será o futuro destas jovens raparigas, futuras mulheres, da sua família de adoção?", apontou Brito à Lusa.

Questionada se se preocupava com potenciais problemas, dado que o feminismo é um tema sensível na China continental, Brito disse que "até agora não encontrou nenhum", sublinhando querer apenas que a "sociedade reconheça que existe uma lacuna de género", para suscitar este interesse e discurso sobre o tema, "sem intenção de por um género contra outro".

A curadora deu como exemplo Xing Danwen, uma das primeiras artistas chinesas a levantar questões sobre o feminismo, através da sua obra 'Eu sou uma mulher', entre 1994 e 1996, em que documentou o seu próprio corpo.

"Ela queria ser quem decidia como retratar-se e ser vista pelo mundo, e levantar questões através da sua obra", explicou Brito.

"A artistas incluídas na exibição questionam-se 'Como uma mulher, quero ser eu mesma, mas como quero apresentar-me à sociedade?' em vez de esperar que alguém defina como devem ser vistas", destacou.

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