China denuncia crítica "irresponsável" dos EUA à condenação de Joshua Wong

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                    China denuncia crítica
China denuncia crítica "irresponsável" dos EUA à condenação de Joshua Wong (Foto: Reprodução)

A China condenou hoje as críticas dos Estados Unidos à sentença de 10 anos de prisão aplicada ao ativista pró-democracia Joshua Wong, em Hong Kong, classificando-as como "irresponsáveis" e exigindo respeito pela soberania chinesa.

 

"O Governo central chinês apoia firmemente a Região Administrativa Especial de Hong Kong nos seus esforços para preservar a segurança nacional", afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa.

"As partes envolvidas devem respeitar escrupulosamente a soberania da China", apontou Guo, apelando ao fim dos "comentários irresponsáveis" sobre os processos judiciais em Hong Kong e de qualquer ingerência nos assuntos internos chineses.

O consulado dos Estados Unidos em Hong Kong condenou hoje a decisão judicial de acrescentar 10 anos à pena de prisão de Joshua Wong e exigiu a sua libertação imediata.

"Os Estados Unidos condenam firmemente a decisão do Tribunal Superior de Hong Kong de condenar Joshua Wong a uma pena adicional de 10 anos de prisão e exigem a sua libertação imediata", afirmou um porta-voz do consulado norte-americano.

"Joshua Wong está injustamente preso desde dezembro de 2020, o que demonstra que Pequim está disposta a tudo para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais em Hong Kong", acrescentou.

As declarações surgiram após um tribunal de Hong Kong ter condenado Joshua Wong, de 30 anos, a mais 10 anos de prisão, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020.

O ativista, uma das figuras mais conhecidas do movimento pró-democracia do território, foi acusado em 2025 de conspiração para conluio com forças estrangeiras visando pôr em perigo a segurança nacional, tendo-se declarado culpado no início deste ano.

Wong já cumpria uma pena de quatro anos e oito meses de prisão, relacionada com a organização de eleições primárias não oficiais da oposição, e estava prevista a sua libertação em janeiro de 2027.

O juiz William Tam considerou que Wong desempenhou um papel central numa conspiração para pressionar governos estrangeiros a adotarem medidas contra a China e Hong Kong, incluindo sanções económicas.

A pena inicial de 13 anos foi reduzida para 10 anos devido à confissão de culpa e a outras circunstâncias atenuantes.

Numa declaração escrita na prisão, obtida pela agência Associated Press (AP), Wong afirmou que a sua participação política nunca foi motivada pelo ódio e que não guarda ressentimentos contra os governos chinês ou de Hong Kong.

O ativista assegurou também que nunca defendeu a independência do território.

A condenação suscitou críticas de organizações de defesa dos direitos humanos, que consideram que as autoridades procuram prolongar a detenção de figuras proeminentes da oposição.

"As acusações ao abrigo da lei de segurança nacional podem ser repetidamente utilizadas como arma para manter um determinado preso político na prisão, se o Governo considerar necessário", afirmou Eric Lai, investigador da Universidade de Georgetown, citado pela AP.

Joshua Wong ganhou notoriedade internacional durante os protestos pró-democracia de 2014, conhecidos como Movimento dos Guarda-Chuvas.

Após os protestos antigovernamentais de 2019, Pequim impôs uma lei de segurança nacional que levou à detenção de dezenas de ativistas e dirigentes da oposição, ao encerramento de órgãos de comunicação social e à dissolução de organizações da sociedade civil.

As autoridades chinesas defendem que a legislação foi essencial para restabelecer a estabilidade em Hong Kong, enquanto organizações de direitos humanos denunciam uma erosão das liberdades políticas e civis.

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