A solidão também conta. Mas será que sabemos contá-la?

...


                    A solidão também conta. Mas será que sabemos contá-la?
A solidão também conta. Mas será que sabemos contá-la? (Foto: Reprodução)

"Vivemos rodeados de números. Contamos habitantes, contamos contactos, contamos seguidores, contamos mensagens. Contamos tudo. Mas há uma pergunta que nenhuma contagem, por mais simples que seja, consegue responder: quantas pessoas se sentem verdadeiramente acompanhadas?

 

A Estatística ajuda-nos a conhecer a dimensão dos fenómenos sociais, permitindo identificar padrões, comparar grupos e perceber quem pode estar mais vulnerável; mas exige também uma condição essencial: saber exatamente o que estamos a medir. Ter poucos contactos não é o mesmo que sentir solidão, tal como ter uma agenda cheia não impede ninguém de se sentir só.

A solidão subjetiva nasce da distância entre as relações que desejamos e aquelas que sentimos ter.  Por isso, não basta perguntar quantas pessoas conhecemos. Importa compreender se temos alguém em quem confiar, com quem falar sem receio de julgamento ou a quem podemos recorrer num momento difícil.

Susana Ramos é coautora do livro Solidão e o Risco de Morrer em Silêncio (PACTOR Editora).© Susana Ramos  

Há ainda uma relação que merece atenção: a que existe entre solidão e ansiedade. A preocupação constante, o medo da rejeição ou a sensação de não pertencer podem dificultar a aproximação aos outros. E a ausência de relações sentidas como seguras pode, por sua vez, agravar o mal-estar. Não há aqui uma explicação única nem uma trajetória inevitável; há, sim, experiências humanas complexas, que pedem investigação rigorosa e respostas cuidadosas.

É tentador transformar os resultados de um estudo numa manchete definitiva. Mas uma associação estatística não prova, por si só, que um fenómeno causa outro. Os números ajudam-nos a formular melhores perguntas. Contudo, estes não dispensam a escuta das pessoas a quem dizem respeito.

Também por isso, as médias podem esconder histórias e realidades muito diferentes – duas pessoas com o mesmo número de contactos podem viver realidades emocionais opostas. E quem parece socialmente integrado pode experimentar um sofrimento que ninguém consegue identificar. A solidão, os seus fatores associados e as suas possibilidades de intervenção são temas refletidos no livro Solidão e o Risco de Morrer em Silêncio — Compreender e Intervir no Sofrimento Humano.

Porque contar pessoas é importante. Mas, numa sociedade verdadeiramente atenta, importa, sobretudo, que cada pessoa sinta que conta para alguém."

Quer viver mais tempo? Tenha atenção às suas companhias, diz estudo (Foto: Reprodução)
Quer viver mais tempo? Tenha atenção às suas companhias, diz estudo (Foto: Reprodução)

Quer viver mais tempo? Tenha atenção às suas companhias, diz estudo

Um estudo que envolveu mais de 500 mil pessoas concluiu que a solidão e o isolamento social estão associados a uma menor esperança de vida saudável. Saiba quais são as diferenças entre os dois fenómenos, de que forma podem afetar a saúde e o que pode fazer para os combater.

Mariline Direito Rodrigues | 21:00 - 25/10/2026